Testemunhos

A Universidade tanto é um espaço de confluência e de construção do conhecimento, como é também um local de partilha de experiências, de enriquecimento cultural, de aquisição de qualificação científica, técnica e profissional.

Para muitos, é na Universidade onde se forjam as amizades do futuro, se concretizam sonhos e se lançam mão de novas oportunidades que a vida tem para oferecer.

O concurso para Maiores de 23 destina-se justamente a todos aqueles que desejam construir o seu próprio projeto pessoal e valorizam o seu futuro. Para quem acredita em si e no seu potencial, é este o momento de apostar.
 

TESTEMUNHOS

Ana Paula Santos  |  Licenciatura em Assessoria de Administração

Ingressou na Universidade do Algarve em 2007, tinha 42 anos. Ana Paula Santos considera que esta forma de acesso é muitas vezes o único recurso que algumas pessoas têm para ingressar no Ensino Superior. Também esta aluna da Universidade do Algarve teve um percurso semelhante a muitos outros que terminaram o 9º ano e tiveram que começar a trabalhar. Mais tarde, já casada e com um filho resolveu fazer o 12º ano. “Depois do meu filho concluir o curso superior, resolvi candidatar-me através do concurso dos Maiores de 23”, explica. Sobre as suas motivações refere ainda que profissionalmente já tinha atingido o topo da carreira e só com um curso superior poderia progredir. Escolheu a licenciatura em Assessoria de Administração, porque era a sua área de trabalho e considera que esta experiência lhe ensinou muitas coisas novas, maneiras de abordar e de resolver os problemas, abrindo-lhe novas perspetivas e horizontes.

Sobre as principais dificuldades com que se deparou, Ana Paula Santos considera que no início foi difícil voltar a ter um método de estudo, de forma a conjugar os horários com o trabalho. Depois, enquadrar-se numa turma, onde a maioria dos jovens tinha 18 e 19 anos. Sentiu receio, medo de não conseguir, por achar que era tudo demasiado difícil: os trabalhos, as frequências, os prazos… Mas, confessa-nos, “depressa verifiquei que todas estas dúvidas se dissiparam com as boas notas, com determinação, força de vontade, esforço e muito estudo”.

Fez a licenciatura nos 4 anos previstos, sem deixar cadeiras em atraso. Atualmente, continua a ser aluna da UAlg, agora num mestrado na área de Gestão de Recursos Humanos.

 

Jorge Papa  |  Licenciatura em Agronomia

Jorge Papa é atualmente diretor geral de dois campos de golfe e ingressou na Universidade do Algarve através do concurso especial para maiores de 23 anos.

Para ele, esta é uma espécie de segunda oportunidade para quem pretende desenvolver conhecimentos e adquirir um grau académico.

Com um percurso pré-universitário atribulado, Jorge Papa mudou-se de França para Portugal com 15 anos de idade. Tinha feito um percurso escolar regular e era um aluno acima da média. Nessa época, as equivalências não eram tão fáceis de obter como atualmente, dominava mal o Português e, por isso, sofreu um recuo de três anos, algo que o deixou bastante desmotivado. Mais tarde, surgiu a oportunidade de trabalhar e estudar em período noturno, o que foi fazendo de forma intermitente, não tendo concluído o ensino secundário.

"Como surgiu o ingresso no ensino superior?" Jorge Papa afirma que sentiu necessidade em adquirir conhecimentos, sobretudo teóricos, mas também práticos, que suportassem o exercício da sua profissão. Escolheu a licenciatura em Agronomia, por ser um curso que tem uma relação direta com a sua vida profissional.

Em jeito de conclusão, considera que esta experiência foi excelente a todos os níveis. “Para além do curso, o convívio e os contactos desenvolvidos em meio académico foram muito enriquecedores”.

Da sua experiência académica, realça ainda o facto da evolução tecnológica e das exigências de adaptação impostas pelo mercado de trabalho tornarem essencial a formação contínua. A abertura e a adaptação da Universidade a esta nova realidade é fundamental e, para Jorge Papa, as maiores dificuldades prendem-se, sobretudo, com a coordenação de horários e a compatibilização das obrigações académicas com os compromissos profissionais.

 

Sónia Jacinto  |  Licenciatura em Línguas e Comunicação

Sónia Jacinto ingressou no curso de Línguas e Comunicação no ano letivo 2006/2007, tinha 28 anos. Para esta aluna “o concurso especial para maiores de 23 anos é, sem dúvida, uma excelente forma de aproximar aqueles que, por qualquer motivo, não tiveram oportunidade de aceder ao ensino superior aquando do seu tempo”.

Sónia Jacinto chegou à UAlg com o certificado do 9º ano de escolaridade. Ainda frequentou o 10º ano (na área de desporto), que não chegou a concluir porque na altura preferiu trabalhar e adquirir autonomia própria. No entanto, sempre manteve a vontade de ter um curso superior e, por isso, uns anos mais tarde chegou a frequentar o ensino secundário recorrente. Por vários motivos, sentiu-se desmotivada e desistiu. Trabalhou sempre na área da hotelaria e turismo e chegou a emigrar para Londres, durante dois anos, onde aproveitou para consolidar os seus conhecimentos da língua inglesa, tendo adquirido o Certificate in Advanced English (CAE) pela Cambridge. Posteriormente, regressou a Portugal e surgiu a oportunidade de se candidatar ao concurso especial de acesso ao ensino superior para maiores de 23 anos.

Questionada sobre a necessidade de se candidatar a um curso superior, é perentória em responder que é “uma criatura sedenta de conhecimento, adora aprender coisas e perceber porque é que elas são como são”, referindo ainda uma motivação intrínseca que a leva a querer a estudar. Depois, com o tempo e a maturidade, foi percebendo, também, como o mercado de trabalho é, cada vez mais, exigente e valoriza a certificação. Na sua opinião, “não basta ser-se curioso e gostar de aprender, é necessário evoluir, desenvolver o conhecimento e atestá-lo pelos meios próprios, tornando-se, assim, uma mais-valia pessoal e profissional”.

Escolheu a licenciatura em Línguas e Comunicação porque sempre sentiu uma atração pelas línguas, em particular pela língua portuguesa, e juntou o útil ao agradável: desenvolver a consciência linguística (portuguesa e inglesa) e ampliar o conhecimento a uma nova língua (espanhol).

Considera que foi uma experiência deveras enriquecedora, não só a nível académico mas, essencialmente, a nível pessoal. “Tive professores excelentes que sempre me acompanharam e motivaram. Nunca me senti discriminada por colegas ou professores por ter acedido ao ensino superior através deste sistema, pelo contrário, senti por parte de todos uma enorme compreensão e uma ajuda incondicional, especialmente em fazer-me acompanhar a matéria quando eu não conseguia frequentar as aulas (por motivos profissionais ou, simplesmente, pelo cansaço!). Por esse motivo, sinto-me ainda mais orgulhosa de ter conseguido completar a minha licenciatura com êxito.

Sónia defende que, “tendo em conta o mercado de trabalho e as exigências que são feitas a nível profissional, as universidades têm e devem estar abertas a todos os que demonstrem vontade em frequentar o ensino superior. Até porque este novo público é basicamente constituído por indivíduos que estão no ativo e desejam desenvolver as suas capacidades; são pessoas determinadas, que estão dispostas a sacrificarem-se a nível pessoal até conseguirem concretizar o seu objetivo com os melhores resultados possíveis”.

Atualmente, continua a trabalhar na área da hotelaria e turismo porque adora aquilo que faz. Contudo, já esteve envolvida em projetos de investigação ao abrigo de duas bolsas – uma bolsa de integração na investigação (BII), pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e outra bolsa para iniciação profissional dos estudantes (BIPE) da UAlg – e, durante dois anos letivos (2010/2011 e 2011/12), lecionou Terminologia e Comunicação no âmbito da licenciatura em Línguas e Comunicação da FCHS da UAlg. Neste momento, encontra-se a fazer um estágio de seis meses na Unidade de Coordenação de Terminologia do Parlamento Europeu, no Luxemburgo. No contexto deste estágio, está a contribuir ativamente para a base de dados interinstitucional Inter-Active Terminology for Europe (IATE), na língua portuguesa, através de dois projetos. Entretanto, está a terminar o mestrado em Ciências da Linguagem na Universidade do Algarve.