Grande Barreira de Coral

Grande Barreira de Coral

O último evento de branqueamento massivo que causou a morte de 30% dos corais de águas rasas na Grande Barreira de Coral, na Austrália, afinal não se restringiu só às partes rasas, mas também afetou os recifes profundos.

Um novo estudo demonstrou que o branqueamento despoletado por temperaturas anormalmente elevadas não só ameaça os recifes profundos, mas também limita o seu papel de “refúgio” contra anomalias térmicas derivadas do aquecimento global.

Publicado na revista Nature Communications, o estudo centra-se no evento de branqueamento massivo de 2016m que causou a morte de 30% dos corais de águas rasas na Grande Barreira de Coral.

Embora o estudo quantifique a redução do impacto do branqueamento com a profundidade, mostra que este foi substancial mesmo no recife profundo.

Pedro Frade, investigador do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) e principal autor do estudo, está negativamente surpreendido por encontrar colónias de coral branqueadas até profundidades de 40 metros. "Foi um choque ver que o branqueamento se estendeu a esses recifes menos iluminados porque esperávamos que essas profundidades tivessem proporcionado proteção contra este acontecimento devastador ”.

A Grande Barreira de Coral é conhecida por ter extensas áreas de recifes de coral profundos, no entanto, dada a sua profundidade, estes recifes são notoriamente difíceis de estudar.

Utilizando veículos de operação remota, a equipa científica fixou sensores até 100 metros de profundidade para caraterizar como a temperatura em profundidade difere das condições no recife raso.

O co-autor Pim Bongaerts, da Academia de Ciências da Califórnia, explica que "inicialmente, durante o evento de branqueamento, o afloramento de água fria do fundo do mar gerou condições mais frias no recife profundo”. No entanto, refere ainda que “quando este afloramento parou no final do verão, as temperaturas subiram para níveis recorde, mesmo em profundidade".

A equipa de mergulhadores realizou pesquisas durante o auge do branqueamento, em vários locais no norte da Grande Barreira de Coral. Observou que, em geral, o branqueamento severo e consequente mortalidade afetaram quase um quarto dos corais a 40 metros de profundidade, embora confirmando relatos anteriores que referiam que cerca de metade dos corais teriam sido fortemente afetados nos recifes rasos.

"Infelizmente, esta pesquisa destaca ainda mais a vulnerabilidade da Grande Barreira de Coral", diz Ove Hoegh-Guldberg, professor da Universidade de Queensland, onde o estudo foi realizado. "Nós já sabíamos que o papel de refúgio dos recifes profundos é geralmente diminuto devido à partilha limitada de espécies com o recife raso. No entanto, agora descobrimos uma limitação adicional, já que os recifes profundos podem ser eles mesmos também afetados por temperaturas altas da água do mar."

Os investigadores irão agora estudar o processo de recuperação dos corais branqueados e como este varia entre os recifes rasos e profundos.