Campanha "O Futuro Começa no Prato"

A Universidade do Algarve vai implementar a campanha “O Futuro Começa no Prato”, uma iniciativa que pretende sensibilizar estudantes, docentes, investigadores, técnicos, assistentes e colaboradores para escolhas alimentares mais conscientes, equilibradas e responsáveis.

Sob o mote “Pequenas escolhas. Grande impacto.”, a iniciativa parte da ligação entre a saúde das pessoas e do planeta. Pequenas escolhas no prato dos estudantes universitários e da nossa comunidade alargada, com maior proporção de vegetais e de alimentos de origem marinha (“opções  verdes e azuis”), podem gerar um grande impacto no planeta e na nossa saúde, uma dieta mais flexivel (flexitariana) contribuirá para uma alimentação mais equilibrada e justa para todo o planeta no futuro e para menores emissões de CO2 para atmosfera,  uma menor pressão na biodiversidade e nos sobre os recursos naturais, tanto no consumo de água quanto na produção de resíduos.

Esta é uma das formas mais visíveis da UAlg se associar a iniciativas globais como as recentemente comemoradas do Dia Mundial do Ambiente (5 de junho) e do Dia Mundial dos Oceanos (8 de junho), demonstrando o compromisso ativo com a proteção da natureza e do planeta como um todo.

Pequenas escolhas. Grande impacto

A campanha surge no âmbito do concurso de ideias “Greening Our Campus”, promovido pelo grupo de trabalho da UAlg na Universidade Europeia dos Mares – SEA-EU, na sequência do projeto “Mudança Sistémica da Alimentação na UAlg”, um dos vencedores da edição de 2025. 
 

Com esta ação, a UAlg reforça o seu compromisso com a promoção de hábitos mais saudáveis, a valorização dos recursos locais e a construção de uma universidade mais sustentável na região e no mundo. Cuidar da saúde e do planeta pode começar na próxima refeição.
 

Os sistemas alimentares atuais representam cerca de 26% a 34% das emissões globais de gases com efeito de estufa, sendo que a produção de carne de vaca pode emitir mais de 50 kg de CO₂ equivalente por kg de alimento, o que a coloca entre os produtos com maior impacto ambiental. O contexto atual, marcado pelas alterações climáticas, pela instabilidade geopolítica e pelo aumento global da inflação, exige uma resposta clara e efetiva por parte das instituições de ensino superior. (i)


Crippa, M., Solazzo, E., Guizzardi, D., Monforti-Ferrario, F., Tubiello, F. N., & Leip, A. (2021). Food systems are responsible for a third of global anthropogenic GHG emissions. Nature Food, 2(3), 198–209. https://doi.org/10.1038/s43016-021-00225-9 ; Ritchie, H. (2021). How much of global greenhouse gas emissions come from food? Our World in Data. https://ourworldindata.org/greenhouse-gas-emissions-food

Os chamados alimentos azuis (“Blue Foods”), provenientes de ambientes marinhos, como peixes pelágicos - nomeadamente a sardinha e a cavala - e bivalves, como o mexilhão e a amêijoa, fornecem nutrientes essenciais, como proteína de elevada qualidade, vitamina D, vitamina B12 e ferro, habitualmente associados ao consumo de carne de vaca. Para além disso, estes alimentos azuis, bem como as algas, tal como a maioria dos vegetais locais e regionais, podem apresentar menor impacto ambiental do que a carne de vaca. São, por isso, uma alternativa nutricionalmente rica e mais sustentável para a saúde humana (ii).

A evidência reunida pelos trabalhos de Carlos Duarte (Doutor Honoris Causa da UAlg) demonstra que a alimentação de base marinha, em especial através da aquacultura marinha e da produção de algas, pode desempenhar um papel decisivo na segurança alimentar global e na transição para sistemas alimentares mais sustentáveis (iii).


ii - Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA). PortFIR – Tabela da Composição de Alimentos, versão 7.1 (2026). https://portfir.insa.min-saude.pt/ 

iii - Duarte, C. M., Holmer, M., Olsen, Y., Soto, D., Marbà, N., Guiu, J., Black, K., & Karakassis, I. “Will the Oceans Help Feed Humanity?” BioScience, vol. 59, n.º 11, 2009, pp. 967–976; Duarte, C. M., Bruhn, A., & Krause-Jensen, D. “A seaweed aquaculture imperative to meet global sustainability targets.” Nature Sustainability, 2021.

Uma alimentação mais assente em produtos de origem vegetal e marinha, produzidos de forma sustentável, contribui não só para a saúde e para a sustentabilidade ambiental, mas também para a justiça social. Esta mudança permite reduzir a pressão sobre a terra, a água e a biodiversidade, ao mesmo tempo que ajuda a contrariar as desigualdades entre o  Sul e Norte Globais na distribuição dos custos e benefícios dos sistemas alimentares , como os que se baseiam na carne de vaca em utilizando extensos recursos do Sul para a alimentação de baixa percentagem da população no Norte . Os impactos negativos destes sistemas recaem, muitas vezes, de forma desproporcional sobre as populações mais vulneráveis no Sul Global , com escassez de recursos, inclusive de vegetais de base proteica, destinados ao alimento de gado, que depois alimentará um grupo restrito a Norte. (iv)

Neste contexto, a transformação dos sistemas alimentares é urgente: mudanças profundas nos comportamentos individuais e coletivos. É, por isso, fundamental que, nas Instituições de Ensino Superior como a UAlg, com ambiente regional, mas também com forte internacionalização e multiculturalidade, ações coletivas, como esta campanha e a oferta alimentar, sejam também entendidas como instrumentos de aprendizagem e de promoção de estilos de vida mais sustentáveis, no presente e no futuro dos nossos estudantes e do nosso planeta, proporcionando combate ás alterações climáticas e padrões alimentares equilibrados e sustentáveis, adaptáveis a diferentes regiões e culturas.


(iv)-Rockström, J., Thilsted, S. H., Willett, W. C., Gordon, L. J., Herrero, M., Hicks, C. C., et al. (2025). The EAT–Lancet Commission on healthy, sustainable, and just food systems. The Lancet, 406(10512), 1625–1700. https://doi.org/10.1016/S0140-6736(25)01201-2

Para além da redução da oferta de carne, com a eliminação de alguns dos tipos, como a carne de vaca de origem não local,  no próximo ano letivo, esta mudança também será visível nos campi universitários, com a disponibilização de opções alimentares mais diversificadas,  saudáveis e sustentáveis, “ verdes e azuis”. Em Gambelas, está prevista a abertura de um novo espaço no edifício da Nave das Artes; na Penha, avançará a remodelação do espaço do bar de Engenharia Civil. A iniciativa está igualmente alinhada com os objetivos definidos no Plano Estratégico UAlg Horizonte 2030, que identifica a sustentabilidade e os campi saudáveis e a justiça social global como prioridades estratégicas da Universidade (v), e será implementada em articulação com a Pró-Reitora para as Ciências da Sustentabilidade – Vânia Serrão de Sousa – e o Administrador dos Serviços de Ação Social da UAlg – André Botelheiro.


(v) Universidade do Algarve. (2026). Plano Estratégico UAlg 2026–2029 Horizonte 2030