Cientistas analisam habitats críticos e biodiversidade e propõem medidas para reverter declínio

Nos últimos 50 anos, a biodiversidade sofreu um declínio rápido, registando-se o desaparecimento de quase metade de alguns habitats costeiros.
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Nos últimos 50 anos, a biodiversidade sofreu um declínio rápido, registando-se o desaparecimento de quase metade de alguns habitats costeiros. No entanto, há medidas que podem ser implementadas, o que deixa alguma esperança aos cientistas. Jorge Assis (CCMAR) integrou um grupo internacional de investigadores do High Level Panel for a Sustainable Ocean Economy que lança esta quinta-feira um artigo sobre o tema.

O artigo é lançado esta quinta-feira e resulta numa análise da distribuição de espécies e habitats marinhos críticos nos oceanos, registando tendências de fatores, pressões, impactos e dando também algumas respostas.

Neste artigo, que contou com a colaboração do investigador Jorge Assis, do Centro de Ciências do Mar – Universidade do Algarve, são estabelecidos limites para proteger os pontos críticos da biodiversidade e indicadores para monitorizar as possíveis mudanças a implementar.

Partindo de dados científicos recolhidos, os autores avaliaram o atual quadro jurídico e as ferramentas disponíveis para a proteção da biodiversidade, as lacunas atuais em termos de gestão dos oceanos e as implicações para alcançar uma economia oceânica sustentável.

A vida evolui no oceano há mais de quatro mil milhões de anos, mas em apenas cinquenta anos assistimos a um declínio rápido da biodiversidade, registando-se o desaparecimento de até 50% de alguns habitats costeiros. Essa perda de variedade e variabilidade de vida no oceano mina a funcionalidade dos ecossistemas marinhos, que fornecem serviços essenciais às pessoas, desde alimentos até a proteção costeira.

Os investigadores alertam por isso para a ameaça que recai sobre a biodiversidade, devido a vários fatores: excesso de pesca, mudanças climáticas, desenvolvimento costeiro e poluição. A perda de biodiversidade prejudica a capacidade natural do oceano de fornecer serviços essenciais ao ecossistema e deixa o oceano menos resistente aos impactos das mudanças climáticas.

Alguns estudos anteriores, revelaram que mais de metade do oceano é considerado fortemente perturbado pelas atividades humanas e que a área do vasto oceano que permanece intocada pelo impacto humano é de apenas 3%. Este artigo conclui que, quanto maior a biodiversidade de uma área, mais intensas são as pressões humanas nessa área, o que significa que as áreas com maior biodiversidade também são as áreas mais ameaçadas pela atividade humana. Se este estado de situação continuar, existe o risco de que outros pontos de inflexão possam ser excedidos, resultando em mudanças negativas e irreversíveis nos ecossistemas e nos serviços mais amplos que eles fornecem.

Felizmente, existem abordagens comprovadas que, se implementadas, podem ajudar a proteger e preservar efetivamente a biodiversidade única encontrada no oceano, concluem os cientistas.

As Áreas Marinhas Protegidas (AMPs) são, por exemplo, uma ferramenta de gestão baseada em áreas que, se bem projetadas, podem de facto aumentar a biodiversidade e restaurar a função do ecossistema. No entanto, a maioria das AMPs é pouco protegida, muitas nem planos de gestão básicos têm e muito poucas são de facto classificadas como totalmente protegidas.

A par desta medida, os cientistas apontam mais quatro oportunidades de ação para reverter o declínio atual dos habitats costeiros que passam por: utilização de tecnologias para mapeamento e monitorização de habitats; maior partilha e reunião de bases de dados  sobre habitats; estabelecimento de programas de ciência cidadã e iniciativas para as escolas; e políticas de gestão de pescas baseadas nos ecossistemas.

Este artigo, “Critical Habitats and Biodiversity: Inventory, Thresholds and Governance” faz parte de uma série de 16 “Blue Papers”, que serão publicados até junho deste ano, pelo “High Level Panel for a Sustainable Ocean Economy”.

O lançamento oficial do artigo tem lugar esta quinta-feira, 7 de maio, após um webminar com os autores sobre a mesma temática.

Informação adicional e ligações:

Blue Paper aqui

Blue Paper Webinar (em espanhol): Quinta, 7 de maio às 17:00. Registo aqui

Foto: Florestas marinhas costeiras que têm vindo a desaparecer da Costa de Portugal. Créditos: marineforests.com, Nuno Vasco Rodrigues

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