Drone da UAlg estuda alcatrazes na Baía do Inferno em Cabo Verde

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No âmbito do projeto "Seabirds of Baía do Inferno, Cabo Verde: Studying them Now, to Ensure their Promising Future", Nuno Santos Loureiro, investigador e docente da Universidade do Algarve, está a acompanhar a reprodução dos alcatrazes na Ilha de Santiago, com recurso a drones, devido à inacessibilidade das falésias da Baía do Inferno.
Nuno Santos Loureiro
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Nuno Santos Loureiro

Financiado pelo Critical Ecosystem Partnership Fund (CEPF) (https://www.cepf.net/) este projeto, que foi muito recentemente aprovado, é uma parceria entre a Universidade do Algarve e a Organização Não-Governamental cabo-verdiana LANTUNA (entidade financiada). A UAlg, através do professor Nuno Santos Loureiro, e a Universidade de Coimbra, através dos Professores Vitor Paiva e Jaime Ramos, são os consultores científicos do projeto, que se iniciou a 1 de março e terminará a 31 de maio de 2022.

«O projeto tem quatro Eixos Estratégicos, dois dos quais são de domínio mais científico e os outros dois mais de "diplomacia" e reforço da própria LANTUNA», explica o docente da UAlg.

O Eixo Estratégico 1, atualmente em desenvolvimento, que se refere ao domínio científico, centra-se no estudo das aves marinhas das falésias costeiras da Baía do Inferno e na concretização de medidas piloto para a sua proteção. O Eixo Estratégico 2 foca-se na Pesca, caracterizando o atual esforço levado a cabo pela comunidade piscatória de Porto Mosquito e, eventualmente, por outros pescadores, na Baía do Inferno e no mar próximo.

 “A Baía do Inferno tem, pensamos nós, as maiores colónias cabo-verdianas de duas espécies de aves marinhas (alcatraz - Sula leucogaster e rabo-de-junco - Phaethon aethereus)”, refere Nuno Santos Loureiro. Mas, explica, “como nidificam numa falésia quase inacessível, nunca foram objeto de atenção e foram quase ignoradas, comparativamente a outras colónias mais acessíveis”. Com o recurso ao drone estão a observar-se de perto essas colónias e a recolher-se informação de base sobre a fenologia (ciclo reprodutivo) e taxa de sucesso reprodutivo e dimensão (número de adultos e de crias).

Além da utilização dos drones, a UAlg é ainda responsável pela elaboração das cartografias que serão preparadas para apresentar os resultados e também pela coordenação do estudo relacionado com o esforço de pesca (Eixo Estratégico 2). Segundo o investigador, que no curso de Arquitetura Paisagista da UAlg explica os conceitos fundamentais sobre a utilização dos drones para o estudo e a caracterização da paisagem e do território, “os drones estão a ganhar grande importância em todo o Mundo, mas a sua utilização na Baía do Inferno é, em alguma medida, inovadora porque se está a recolher informação muito detalhada, e, em geral, os drones são usados para censos e observações mais abrangentes”.

Esta parceria permitirá que, em breve, se saiba bastante mais sobre estas colónias. “Se conseguirmos identificar os fatores que limitam o seu crescimento, será eventualmente possível contribuir para a gestão das colónias e assegurar a sua perenidade”.

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