Investigadores da CinTurs participam em estudo sobre a adoção da IA no setor público
Intitulado "Adoção da Inteligência Artificial em Portugal: Pontos de vista dos trabalhadores do setor público", o relatório foi publicado pelo Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) da Universidade de Lisboa e integra o projeto internacional Global Artificial Intelligence Adoption Survey, que recolheu informação em 111 países.
Em Portugal, o estudo reuniu 577 respostas, permitindo analisar as perspetivas dos trabalhadores da Administração Pública sobre a utilização destas tecnologias.
Os resultados revelam que a IA já está amplamente disseminada entre os trabalhadores do setor público português, que reconhecem ganhos de produtividade e rapidez na execução das tarefas.
Contudo, o estudo identifica um desfasamento entre a preparação individual dos trabalhadores para utilizar estas ferramentas e o apoio disponibilizado pelas organizações.
A investigação evidencia também preocupações relacionadas com a proteção de dados pessoais, a transparência, o risco de erros e a dependência excessiva da tecnologia.
Entre os trabalhadores que ainda não utilizam ferramentas de IA, destacam-se as preocupações com o tratamento de dados, a preferência por aguardar orientações oficiais e a perceção de que as organizações não incentivam suficientemente a sua utilização.
Perante estes resultados, o relatório sublinha a importância de uma integração institucional mais estruturada da Inteligência Artificial, assente em orientações claras, mecanismos de governação e responsabilização e medidas que promovam uma utilização segura e responsável.
O objetivo passa por garantir que os benefícios destas tecnologias se traduzem em melhorias efetivas para os trabalhadores, as organizações públicas e os cidadãos.
O estudo contribui, assim, para a reflexão sobre os desafios da transformação digital nas instituições públicas, incluindo as universidades e os centros de investigação.
A integração da Inteligência Artificial pode apoiar a produtividade, a tomada de decisão e a criação de conhecimento, mas exige uma abordagem que articule inovação tecnológica, segurança da informação, transparência e valorização das pessoas.