Reitora da UAlg foi convidada de honra nas comemorações do 25 de abril em Loulé
A sessão de abertura, esteve a cargo de Silvério Guerreiro, presidente da Assembleia Municipal de Loulé, que fez um enquadramento dos acontecimentos internacionais e nacionais que marcam a atualidade.
Depois de nomes como a escritora Lídia Jorge ou o músico Dino D’Santiago, este ano foi a vez da reitora da UAlg ser a convidada de honra destas comemorações, tendo proferido um discurso sobre a “Democracia local e o Ensino Superior”. No seu discurso, Alexandra Teodósio destacou o papel do ensino superior como pilar da democracia local, promovendo a educação, a justiça social e a produção de conhecimento aplicado ao território.
A reitora enfatizou a UAlg como um produto da democracia, nascida para democratizar o acesso ao ensino, e que hoje colabora ativamente com o concelho de Loulé em projetos de referência, como o Geoparque Algarvensis, o futuro Campus da Saúde e também na formação de jovens cidadãos. “A educação é a forma mais justa de quebrar o ciclo da exclusão”, afirmou Alexandra Teodósio, reiterando que “o ensino superior não é um luxo; é uma infraestrutura democrática” que, na sua opinião, protege a liberdade através da formação, produção de conhecimento e servindo a comunidade.
Para a reitora a Academia algarvia é um “exemplo fora do comum”, tendo nascido diretamente do processo de democratização do país para “corrigir desigualdades regionais históricas”. Recordou também o papel relevante do louletano Manuel Gomes Guerreiro, primeiro reitor da UAlg, enquanto o grande responsável por lançar uma “semente” que hoje floresce com mais de 11 mil estudantes de 110 nacionalidades.
Alexandra Teodósio revelou, ainda, dados que explicam bem a ligação entre Loulé e a Instituição: depois de Faro, este é o concelho com maior percentagem de alunos inscritos na UAlg (cerca de 17%), destacando-se não só pela quantidade, mas pela qualidade e pelo número de bolsas de excelência atribuídas aos estudantes louletanos.
Olhando para o futuro, a representante da Universidade alertou para os riscos da "era do burburinho online" e da desinformação. Defendeu que a democracia moderna exige uma "decisão informada" e que o ensino superior deve atuar como uma infraestrutura crítica que protege a liberdade, através do rigor científico e do diálogo. “Ser digno de Abril exige que o conhecimento saia do papel e entre na vida das pessoas”, disse, apontando o exemplo do Geoparque Algarvensis (recentemente distinguido pela UNESCO) como o modelo ideal de colaboração entre a academia, os municípios e o território.
Dentro destas parcerias, falou ainda sobre o futuro Campus da Saúde no Parque das Cidades, com acordo em negociação entre Faro e Loulé, em articulação com o Hospital Central do Algarve. Uma “ambição clara” da Universidade do Algarve que tem como objetivos aproximar ensino superior, investigação e prática clínica; criar melhores condições para o crescimento da formação em Medicina e nas Ciências da Saúde; reforçar a investigação clínica e a inovação; e contribuir para fixar profissionais na região, com impacto direto na qualidade dos cuidados e na sustentabilidade do sistema. “Este não é um projeto apenas da universidade. É um projeto que só faz sentido como projeto regional, feito com os municípios, com a Unidade Local de Saúde, com o Estado e com as comunidades. É uma expressão de democracia local madura: uma democracia que sabe investir em infraestruturas que melhoram a vida real e que sabe fazê-lo com planeamento, parceria e visão de longo prazo”, sublinhou.
A sessão contou ainda com os discursos dos representantes das bancadas com assento na Assembleia Municipal de Loulé e do presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto.