UAlg Hippocampus

The itinerary for the conservation of the seahorse (scientific genus Hippocampus) between two pieces of art by Bordalo II (Big trash Animals Collection) aims to bring citizens closer to art, science, and the need to change habits that affect the sustainability of marine ecosystems such as illegal fisheries and the production of marine litter, namely plastics, nutrients and xenobiotics that contribute to the reduction of biodiversity and degradation of their habitat.

UAlg contribution to the knowledge about this iconic genus of seahorses -Hippocampus and its habitat - Ria Formosa has been highlight by the national and international scientific community.

 
The itinerary for SeaHorse conservation aims to reinvented ways to meet and share, in situ, with citizens how: i) it is possible to promote sustainability (with the focus on circularity), using marine litter, mainly plastics, to produce pieces of art; ii) to admire the beauty of marine biodiversity with the esthetic of an iconic sea animal “The SeaHorse “ in the Big Trash Animals Collection by Bordalo II– and iii) to make accessible to all (students, local residents, and tourists) a simple itinerary, walking or by bike, guided by our QR codes creating awareness of threatened species in Ria Formosa and the importance of marine biodiversity for EU Green Deal.

 
The itinerary starts in the University of Algarve - UAlg where knowledge has been produced about marine life and continuing during 8 km crossing the natural reserve Ria Formosa where the target species has its habitat threatened by human behavior not only illegal fished and abandoned gears but also several types of plastic detritus negatively affect the valuable seagrass areas, a blue infrastructure to absorb CO2, very relevant to EU GREEN DEAL.

UAlg Hippocampus was built with the contribution of Hipposave and Alimar, projects, whose main objectives are protection and conservation of seahorses and their habitats, as well as the awareness of the general public and the school about the problem and impact of marine litter in the Ocean.

This itinerary is a real interdisciplinary project that was built with the co-production of scientists from fields as Marine Biology, Conservation, Environmental Engineering, Chemistry, and Social Sciences and effective contribution of Citizen Science and Volunteering NGO, that regularly organize cleaning actions of the coastal area where marine litter is collected. We present 5 stops with QR code informing us about threats and the life cycle of seahorses in the Ria Formosa.

Itinerário Cavalos marinhos da Ria Formosa. Conhecer. Proteger. Conservar. Proposta Universidade do Algarve

Devido à sua aparência única, os cavalos-marinhos desde sempre inspiraram a imaginação humana, o que os transformou em criaturas rodeadas de algum mistério. Pela sua morfologia marcadamente diferente das demais espécies de peixes, e com os seus hábitos de vida peculiares, isso leva a que tenham uma enorme afinidade e dependência para com o seu habitat e, por consequência, uma enorme sensibilidade aos impactes e à degradação ambiental a ele causados.

Na Ria Formosa, onde no início deste século foram registadas grandes populações das duas únicas espécies europeias de cavalos-marinhos, o cavalo-marinho de focinho comprido (Hippocampus guttulatus) e o cavalo-marinho de focinho curto (H. hippocampus) a sua ocorrência está hoje, menos de duas décadas decorridas, seriamente ameaçada por uma conjugação de fatores de origem antropogénica, onde a pesca ilegal e a degradação ambiental são sem dúvida as principais ameaças.

Conhecer melhor a sua biologia e ecologia, ao mesmo tempo que se determinam e se aplicam mecanismos de conservação que permitam a sua salvaguarda, têm sido os objetivos da investigação desenvolvida na Universidade do Algarve sobre estas espécies. A sua conservação adquiriu por isso um carácter de urgência, tornando-se imperativo tomar medidas conjuntas que impeçam o seu desaparecimento e não se tornem, aí sim, criaturas míticas de um passado distante.

 

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Os cavalos marinhos têm como habitat os canais de maré e as pradarias marinhas da Ria Formosa. A Ria faz fronteira entre o mar e a terra, e constitui um ecossistema dinâmico onde se estabelece uma interação direta entre a zona húmida e a zona terrestre envolvente. Através da bacia de drenagem adjacente, a Ria Formosa recebe de forma natural, águas de escorrência que transportam nutrientes dissolvidos vitais, que são integrados no sistema trófico através da rede microbiana, dos produtores primários, algas e as plantas aquáticas.

No entanto, estas mesmas águas de escorrência podem ser uma ameaça para os cavalos marinhos, por transporte direto de componentes poluentes químicos dissolvidos e lixo marinho particulado, como os plásticos e microplásticos, que se integram na rede trófica causando um impacte negativo em todas as espécies aquáticas. Desta forma, os usos que a sociedade faz das zonas envolventes da Ria Formosa e dos canais onde vivem os cavalos marinhos têm grande impacto na sua sobrevivência.

Os cavalos-marinhos alimentam-se exclusivamente de pequenos crustáceos que capturam permanecendo imóveis e caçando-os por emboscada. As suas presas fazem, por seu turno, parte dos primeiros níveis da rede trófica, o zooplâncton, muitas vezes com dimensões semelhantes a microplásticos (que são ingeridos como alimento), pelo que indiretamente os cavalos-marinhos, tal como muitas outras espécies existentes na Ria Formosa são todas elas afetadas pela poluição produzida em ambiente terrestre.

 

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Com uma aparência bastante diferente dos demais peixes, os cavalos-marinhos são espécies únicas e bastante sensíveis a alterações ambientais. Com hábitos de vida peculiares, os cavalos-marinhos formam casais duradouros, onde é o macho que cuida e protege a sua prole dentro de uma bolsa no abdómen até à eclosão dos ovos.

A época de reprodução decorre entre os meses de maio a agosto, demorando cada ciclo reprodutivo aproximadamente um mês. Possuem uma baixa fecundidade, produzindo apenas 200 a 400 juvenis por postura, dos quais a grande maioria não sobrevive por efeito da predação ou da falta de alimento.

Possuindo uma fraca capacidade de natação, permanecem imóveis durante a maior parte do tempo, enquanto se fixam com a sua cauda preênsil à cobertura de fundo de que dependem.

Habitam zonas de baixa profundidade e são mestres na camuflagem, que utilizam para surpreender os pequenos crustáceos de que se alimentam. Os cavalos-marinhos encontram-se por isso, normalmente associados a habitat de maior complexidade estrutural dos quais dependem para se fixarem e obterem alimento. Habitam por isso, em zonas de pradarias marinhas e zonas envolventes, encontrando aí o seu habitat ideal. 

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Pela sua sensibilidade às alterações ambientais, os cavalos-marinhos são considerados espécies representativas do ecossistema em que vivem e indicadores da qualidade ambiental.

A contínua diminuição da sua abundância, a que se assiste nos últimos anos, é reveladora do forte impacte exercido pela ação humana na Ria Formosa. Esta ação integra um conjunto de atividades, que incluem a navegação e consequente poluição sonora sub-aquática, ancoragem de embarcações, degradação ambiental de origem múltipla e a pesca ilegal.

Destas, a pesca ilegal é a que exerce um maior impacte, quer direto pela captura de cavalos-marinhos e de muitas outras espécies para consumo humano, quer indireto, onde a utilização de artes de pesca ilegais de arrasto provoca uma alteração continuada na estrutura do fundo da Ria Formosa, e com isso, dos habitat onde estas espécies ocorrem.

Globalmente, a pesca ilegal induz uma elevada perda de biodiversidade marinha, onde os cavalos-marinhos são apenas uma das muitas espécies afetadas, e de igual forma compromete a sustentabilidade do ecossistema da Ria Formosa.

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Pela sua sensibilidade às alterações ambientais, os cavalos-marinhos são considerados espécies representativas do ecossistema em que vivem e indicadores da qualidade ambiental.

A contínua diminuição da sua abundância, a que se assiste nos últimos anos, é reveladora do forte impacte exercido pela ação humana na Ria Formosa. Esta ação integra um conjunto de atividades, que incluem a navegação e consequente poluição sonora sub-aquática, ancoragem de embarcações, degradação ambiental de origem múltipla e a pesca ilegal.

Destas, a pesca ilegal é a que exerce um maior impacte, quer direto pela captura de cavalos-marinhos e de muitas outras espécies para consumo humano, quer indireto, onde a utilização de artes de pesca ilegais de arrasto provoca uma alteração continuada na estrutura do fundo da Ria Formosa, e com isso, dos habitat onde estas espécies ocorrem.

Globalmente, a pesca ilegal induz uma elevada perda de biodiversidade marinha, onde os cavalos-marinhos são apenas uma das muitas espécies afetadas, e de igual forma compromete a sustentabilidade do ecossistema da Ria Formosa.

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